Robson Ferreira e Adriana Nascimento encontraram
um adversário em comum neste final de semana, a chuva, que
mais uma vez chegou forte em Paraibuna marcando presença na
14ª edição do evento. Além da chuva os
dois tiveram mais algo em comum, ambos lideraram a prova do começo
ao fim, sem dar chances aos adversários.
Na Elite Masculina, Robson mostrou sua boa fase ao vencer os dois
dias da competição, pensando no Brasileiro de Maratona
que acontece no próximo final de semana na cidade paranaense
de Campo Largo o carioca compareceu no Tri Trail de Paraibuna para
medir forças com os adversários e fazer uma auto-analise.
“Estou fazendo meu treinamento há dois meses para o
Brasileiro e vim para cá para ver como estava meu condicionamento,
vi que estou bem e agora eu preciso tomar cuidado por causa da chuva
de hoje”, comenta o Campeão.
Assim como na Elite Masculina, Adriana Nascimento da Elite Feminina
também liderou a competição nos dois dias de
prova, mas ainda não há confirmação de
sua presença no Brasileiro de Maratona.
“Estou na dúvida se vou até lá ou não,
estou competindo mais pelo prazer, hoje eu não sou uma atleta
profissional. As viagens longas, acumular muitas competições
acaba sendo difícil, durante a semana eu vou ver como andam
os meus trabalhos para decidir se vou ou não no Brasileiro”,
declarou a campeã do Trip Trail Paraibuna.
O primeiro dia
No primeiro dia da competição com tempo seco, o percurso
pregou uma peça nos atletas, por ser uma volta em torno da
represa, muitos imaginaram um percurso mais plano, sem grandes subidas. “Todo
mundo achou que seria meio plano, comparando com a altimetria do
segundo dia, mas foi um sobe e desce constante”, comentou Adriana.
Com esta “doce ilusão” os atletas imprimiram
um ritmo mais acelerado no início da competição,
comprometendo o final. O que não foi o caso de Robson que
assumiu a liderança isolada da competição após
dois ataques, no primeiro junto com o carioca, partiu Edivando Sousa
Cruz que se manteve na roda até os quilômetros finais,
quando Robson mais uma vez atacou num trecho de subida definindo
a prova.
“Percebi que o Vando estava sofrendo então resolvi
atacar”, comenta Robson que aproveitou as cãibras do
adversário para garantir a vitória do primeiro dia.
“Venho de muitas competições, em agosto corri quatro provas
e hoje foi um dia diferente aos treinamentos que estou fazendo, fazia tempo que
eu não participava de uma prova neste ritmo”, declarou Edivando
que no próximo final de semana também vai competir no Brasileiro
de Maratona.
Com a liderança isolada de Adriana Nascimento na primeira
colocação deixou a disputa entre a mineira Roberta
Kelly Campos e Roseli de Souza, que mesmo tendo uma corrente quebrada
ainda conseguiu conquistar a quarta colocação.
“Minha corrente quebrou no começo da competição
e com a corrente curta eu não conseguia forçar, foi
duro neste ponto para mim, mas o circuito está ótimo,
maravilhoso eu que não tive sorte”, comentou Roseli.
Roberta Kelly com problemas gástricos teve que dosar as energias
para concluir a prova. “No meio da prova comecei a sentir o
estômago e resolvi administrar a prova para terminar bem”,
declarou a atleta que ainda conseguiu colocar uma vantagem de seis
minutos sobre a paulista Roseli de Souza.
Para a segunda colocada, Laís Saes, o primeiro dia também
foi tranqüilo, “Apesar do circuito se muito duro, a prova
foi relativamente tranqüila. Mas consegui administrar bem, eu
tinha uma boa vantagem em relação a terceira e quarta
colocada”, comentou Laís.
01 – Adriana Nascimento (Star Soft/Specialized)
02 – Laís Saes (Bike Fan/Scott)
03 – Roberta Kelly Campos (Elite Bike/Specialized)
04 – Roseli de Souza (PM Ribeirão Preto/DKS Bikes)
05 – Danielli Gava Mendes (WGS Huber Suhner/Bike Joe MTB Team)
O segundo dia
Ao contrário do primeiro dia, o sol não se fez presente,
deixando espaço para a chuva que caiu e caiu forte, obrigando
a organização do evento retirar um trecho de dez quilômetros
do percurso original, reduzindo para aproximadamente trinta e cinco
quilômetros.
“Tomamos esta decisão para segurança dos atletas
e também o apoio não conseguiu chegar ao local”,
comentou Pirolo, organizador do evento.
Para quem precisava de um circuito maior para tirar o tempo do primeiro
dia, segundo o organizador, acabou não sendo afetado. “A
retirada desse trecho não alterou muito, era um trecho de
velocidade e os atletas não teriam como tirar muita diferença
ali, o pior trecho que a subida acabou ficando, se tivesse que alterar
algum tempo, seria neste trecho de mais dificuldade”, afirmou
Pirolo.
Com um circuito menor, a Elite pode imprimir um ritmo forte, e mais
uma vez Robson Ferreira partiu cedo para o ataque, estratégia
que deu certo.
“Eu não queria ficar no meio do pelotão, com
a chuva e os buracos, poderia ter alguma queda, então depois
da largada simbólica já comecei a puxar, assumi a ponta.
Na primeira subida eu já ataquei coloquei um passo forte,
o Arlei veio junto, mas no final da subida ele acabou sobrando e
pensei comigo – vou fazer força a corrida inteira”,
comentou o carioca que agora coloca todo o foco no Brasileiro de
Maratona.
Na segunda colocação chegou o mineiro de Uberaba,
Moisés Lourenço dos Santos, mais conhecido como “Monobloco”,
que mesmo se recuperando do primeiro dia não conseguiu na
soma dos tempos subir para a segunda colocação, ocupada
por Edivando Souza Cruz.
Monobloco aproveitou a falta de freios de Edivando para abrir uma
fuga na metade da prova, o que lhe deu um minuto de vantagem sobre
o atleta de Ilhabela.
Sem o freio traseiro, Vando teve que fazer uma corrida administrativa
para segurar a segunda colocação, ele que tinha três
minutos de vantagem sobre o mineiro soube usar bem este tempo para
assegurar a segunda colocação.
“Na primeira descida onde entramos na trilha eu fiz devagar
na frente do Moisés, mas na hora que pegamos a maior descida
que era de estradão não teve jeito, eu tive que sentar
no quadro e controlar a descida com a perna e neste trecho o Moisés
abriu bastante de mim”, declarou Edivando.
Entre as mulheres, Adriana Nascimento como no primeiro dia, assumiu
a ponta no início da competição não dando
chances para Laís Saes, segunda colocada em ambos os dias
de competição.
“Hoje consegui uma vantagem por estar com pára-lamas
e a Lais não, então nas descidas eu conseguia por um
pouco mais de velocidade, o que foi acumulando uma distância
e quando chegou na parte do estadão eu tive que acelerar”,
declarou a Campeã.
Novamente na segunda colocação, Lais não teve
grandes dificuldades. “Hoje eu troquei os meus pneus para pneus
de chuva, na metade da prova a Roseli me alcançou mas num
trecho de muita lama eu consegui abrir dela e vim de boa para a chegada”,
declarou Laís.
Na terceira colocação, mesmo acidentada e sem freio,
Roseli de Sousa conseguiu superar Robeta Kelly Campos. “A corrida
foi muito dura, nas descidas eu estava sem freios e mesmo assim consegui
fazer um terceiro lugar”, comentou Roseli.
Roberta Kelly, que no primeiro dia conseguiu abrir seis minutos
de Roseli, com problemas gástricos optou por fazer uma prova
administrativa. “Como estou com problemas de estômago,
administrei a prova do começo ao fim, o meu foco era não
perder a Roseli de vista e garantir a terceira colocação.
A Adriana e a Laís não teria condições,
eu teria que fazer força”, declarou Roberta, que não
estará participando do Brasileiro de Maratona devido aos problemas.